Sistema de ligas no futebol brasileiro: prós e contras

Sistema de ligas no futebol brasileiro: prós e contras

Atualmente o futebol brasileiro consiste em times individuais ligados à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e que seus espaços dentro dos campeonatos são estipulados pela tal. Isto faz com que qualquer competição realizada em solo brasileiro é totalmente ditada pela Confederação, deixando os times como um segundo plano nas decisões e regularizações das partidas, não os deixando ter total ou grande autonomia sobre isso. Diferentemente dos outros países em que o futebol também é muito competido, o Brasil não tem um sistema de ligas implantado, que é um agrupamento de clubes relacionados pela localização geográfica ou por outros motivos (maior número de títulos, torcida, valor de mercado, etc.) que contém seus próprios campeonatos e podem ter autonomia sobre os mesmos. Em muitas nações pelo mundo isso já ocorre, como na Itália, Inglaterra, Estados Unidos e tantos outros, que tem uma ótima estrutura comercial e profissional, fazendo com que tudo funcione sem necessariamente a ajuda da confederação de futebol vigente no país.

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Aqui no Brasil não existe uma lei que proíba a criação dessas ligas, é totalmente livre a implantação delas nos times que consentem em cria-las e desenvolvê-las. E caso isso ocorra a CBF não tem liberdade para atuar em suas decisões, deixando claro que qualquer veredito dado pelos clubes que compõe uma determinada liga é de total responsabilidade em sua execução. Um dos obstáculos que faz com que não exista esse sistema no país é por exatamente a CBF não ter autonomia sobre as ligas, fazendo com que os times não tenham chances em outros campeonatos. Por exemplo: se uma liga cria uma disputa entre os times que a compõe, o campeão não tem passagem direta para um outro campeonato igual ocorre com o vencedor e os melhores colocados do Campeonato Brasileiro, que logo disputam a Libertadores da América e a Copa do Brasil do ano seguinte. Um determinado campeonato de uma determinada liga não terá visibilidade em outras disputas por conta de não estarem associados com a Confederação. Essa situação, não necessariamente, é a regra, caso seja criada uma liga de clubes brasileira e ela for ligada à CBF, toda estrutura de campeonato é mudada. Os times além de competirem entre eles, podem participar dos outros campeonatos e terem o “carimbo” para as outras competições, sendo eles os melhores classificados na tabela da disputa (Brasileirão) ou o campeão (Copa do Brasil).

Na Itália, por exemplo, existem as ligas profissionais (que contém 3 séries com 5 divisões com cerca de 20 clubes em cada) e as ligas não profissionais (que contém 3 séries: Série D, Ecellenza, Promozione, Prima Categoria, Seconda Categoria, Terza Categoria). Essa estrutura permite que cada liga tenha um superior ou inferior a ela, neste caso a confederação de futebol da Itália tem ligação com o sistema de ligas de lá, tendo total liberdade em participar e interferir em suas decisões. Qualquer time de outras séries e divisões deste sistema está totalmente propício a subir para uma categoria melhor ou a rebaixar-se, porém para que um clube consiga ir para uma das ligas de ponta necessita-se de condições prévias, como: situação de estádio, valor de mercado, arrecadação por partida, e muitas outras.

Se um sistema deste tipo ocorre no Brasil talvez ajudaria, ou não agradaria a todos. O que pode ocorrer são times grandes de um determinado estado, que tem uma alta rivalidade não conseguirem trabalhar juntos por conta da torcida. Um exemplo disto é se houvesse uma Liga Paulista com os seguintes clubes: Palmeiras, Corinthians, Santos e São Paulo. Para algumas finalidades e interesses no meio do futebol seria de uma enorme utilidade econômica para todos, porém não haveria total aceitação dos torcedores, principalmente aqueles com rivalidade maior (Palmeias e Corinthians), não resultando em bons números e acabando com o sistema de ligas.

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O que se pode concluir deste experimento no Brasil é que existem lugares em que ele pode, sim, funcionar e existem outros que talvez seja melhor não mudar e continuar com o sistema regular, pois em time que está ganhando não se mexe. A melhor orientação é tentar convencer ou apenas perceber se há interesse ou não da maioria, com um tipo de democracia estabelecer o melhor a se fazer no momento. Com base no andamento dos campeonatos, tudo está caminhando sob controle e ordem e que se houver uma mudança radical como esta, alguns times podem não se ajustar e perder ritmo de jogo, características de campanha nas competições, entrosamento e tantos outros fatores que podem comprometer grandes clubes nacionais. Verdade seja dita, a grama do vizinho sempre será mais verde, o que importa é o trabalho que se faz para que de uma forma autêntica e única de um sistema haja o mesmo patamar de funcionamento. A estrutura de jogos e competições brasileiras não é ruim e nem muito menos desmerecidas em relação as outras, muitas coisas já melhoraram e continuarão a melhorar a partir de cada campeonato. O sistema de ligas é apenas uma ideia distante, que pode somar ou destruir um legado de estruturas do futebol nacional.

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